Trabalho de parto e contrações de Braxton

Ao longo das 40 semanas de gestação, a ansiedade toma conta da mulher. Esse sentimento faz com que ela passe por vários “alarmes falsos”
Durante a segunda metade da gravidez é comum sentir falsos sinais de que a hora do parto chegou, conhecidos como contrações de Braxton-Hicks. Algumas gestantes até sentem dor. O ginecologista e obstetra Domingos Mantelli Borges Filho ensina como saber diferenciar a hora “H” do alarme falso. “As contrações verdadeiras são mais demoradas, fortes e têm cada vez menos intervalo entre elas, enquanto as “falsas” são aleatórias, não chegam a pegar ritmo e, geralmente, param se você descansar ou trocar de posição.”
Quando chega o grande dia
Antes do nascimento, as contrações ocorrem em intervalos de 15 a 20 minutos com duração entre 30 e 45 segundos. Assim que o trabalho de parto progride, essas contrações ficam mais frequentes e duram em torno de 60 segundos. “Quando o intervalo for de 10 minutos com duração de 45 segundos ou mais, a gestante deve procurar o médico”, destaca o ginecologista.
Borges Filho recomenda entrar em contato com o obstetra sempre que desconfiar (que as contrações estão com intervalos regulares ou quando houver perda de líquido ou sangue pela vagina. “Para acabar com a dúvida, coloque um absorvente limpo e depois de meia hora observe se ele está seco, úmido ou encharcado, essa informação deverá ser repassada imediatamente para ao médico.”
Em caso de contrações regulares antes da 37ª semana de gestação, a futura mamãe deve procurar auxílio no hospital e avisar se sentiu o bebê mexendo menos que o costume. Essas observações ajudam a equipe médica descobrir se ela está entrando em trabalho de parto ou se tudo não passa de mais um alarme falso.
Anúncios

Gripe Suína

As gestantes são pacientes de risco para a gripe suína. Provavelmente, por conta das modificações hormonais, anatômicas e funcionais, as grávidas são mais propensas as formas mais graves da infecção.

Portanto, as gestantes que apresentem quadro sugestivo de síndrome gripal devem procurar à Emergência.

Tal quadro caracteriza-se por: paciente com doença aguda (com duração máxima de cinco dias), apresentando febre  acompanhada de tosse ou dor de garganta.

Gestantes que apresentem febre superior a 38 C, tosse e falta de ar, acompanhada ou não de dor de garganta ou manifestações gastrointestinais, devem ser testadas laboratorialmente quanto a infecção pelo H1N1.

O tratamento deve ser administrado 48 horas após o início dos sintomas. A droga de escolha é o Oseltamivir (Tamiflu) para aquelas pacientes diagnosticadas com a doença. Durante a gravidez, o uso do Oseltamivir deverá ser avaliado perante riscos e benefícios.

Dica: Deve ser realizada frequente higienização das mãos, utilizar lenço descartável para a higienização nasal, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir, evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca e higienizar as mãos após tossir ou espirrar.

Sinais e sintomas de trabalho de parto

Uma das maiores angústias das gestantes que acompanho em meu pré-natal é saber qual o exato momento de se dirigir à maternidade quando alguns sinais e sintomas sugestivos de trabalho de parto aparecem.

Saber identificar esse momento traz benefícios para as parturientes, diminuindo a ansiedade e evitando idas desnecessárias às emergências obstétricas.

Cabe a todo pré-natalista orientar suas pacientes a esse respeito, instruindo-as sobre quatro importantes situações que podem ser experimentadas por qualquer gestante, principalmente ao final da gravidez.

1) Contrações uterinas

Sintoma extremamente comum em toda a gravidez. Acontece desde as primeiras semanas, sendo cada vez mais percebido quanto mais proxímo do parto a paciente se encontra.

Caracteriza-se por dor abdominal tipo cólica que incomoda a região pélvica, fundo uterino (parte mais alta do útero) e região lombar, acompanhada do endurecimento da parede uterina. Duram alguns segundos e repetem-se em intervalos de minutos.

Importante observar a ritmicidade. Dificilmente contrações irregulares, ou seja, aquelas que não respeitam um ritmo e repetição quase que exatos, se traduzem em trabalho de parto. Contrações típicas se repetem precisamente como que coordenadas por um cronômetro. Portanto, podem se iniciar, por exemplo, com uma periodicidade de 15 em 15 minutos e com o passar do tempo, aumentam a intensidade e diminuem o intervalo.

Dica: Você irá à maternidade quando apresentar contrações regulares a cada 10 minutos.

2) Sangramento vaginal

A presença de hemorragia genital no final da gravidez é um sintoma muito comum. Quando associado a uma secreção mucóide pode caracterizar o que chamamos de tampão mucoso, um achado que antecede o início do trabalho de parto em algumas pacientes.

Entretanto, todo e qualquer sangramento vaginal, por menor e mais ingênuo que possa parecer, deverá ser avaliado imediatamente por um médico em consulta de emergência.

Dica: Qualquer sangramento genital deverá ser avaliado por médico de plantão imediatamente.

3) Perda de líquido amniótico

Uma das queixas mais comuns das gestantes durante o pré-natal diz respeito ao umedecimento da roupa íntima. Essa situação gera inúmeras dúvidas visto que se confunde com perda de líquido amniótico.

Secreções normais produzidas mais intensamente pela própria gestação como a leucorréia fisiológica, perdas involuntárias da urina e infecções vaginais podem mimetizar a perda de líquido amniótico, causando a ida da gestante às maternidades.

A ruptura da bolsa das águas com exteriorização de fluido amniótico é habitualmente abundante, com odor característico tipo detergente ou esperma e de coloração semelhante à aguá de côco quando ao final da gestação.

Dica: Caso a saída de secreção vaginal te cause alguma insegurança a ida à maternidade é de extrema importância.

4) Parada da movimentação fetal

Apesar de não estar relacionado ao quadro clínico de trabalho de parto, a parada da movimentação deve ser comentada como forma de diminuir a incidência dos óbitos fetais repentinos.

Os movimentos fetais satisfatórios são a tradução de boa oxigenação fetal. Quando presentes acalmam a futura mamãe e o obstetra que a acompanha durante o pré-natal. Cada gestante conhece muito bem a movimentação do seu bebê quando ainda dentro do útero e essa perpcepção qualitativa é de extrema importância para o seu acompanhamneto. Existem ainda alterações quantitativas que serão discutidas em outros tópicos.

Entretanto, uma parada da movimentação fetal deve ser tratada como uma emergência obstétrica e a ida para a maternidade será imediata quando o feto não se movimentar por mais de seis horas. O respeito a esse tempo garantirá a resolução de possíveis alterações relacionadas à sofrimento fetal agudo.

Dica: A parada da movimentação fetal por mais de seis horas é suficiente para que a gestante procure a emergência obstétrica. 

 

O conhecimento das alterações acima garantirá uma gravidez mais tranquila, diminuindo os sobressaltos e evitando idas desnecessárias à atendimentos de emergência. O papel do obstetra é sempre orientar suas pacientes quanto as situações mais comuns do transcorrer da gravidez.

Abraços.

Dr Paulo Gomes Filho