Insuficiência Istmo-Cervical afeta a gestante

Você já ouviu falar em Insuficiência Istmo-cervical (IIC)? Se a resposta for negativa, você não está sozinha. A IIC é uma doença que acomete mulheres durante a gravidez e que, muitas vezes, só é descoberta tardiamente. Pouco conhecida, essa patologia atinge 1% das gestantes.

Para esclarecer e orientar as mamães, a Sempre Materna conversou com a Dra. Karina Zulli, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz.

Sempre Materna: O que significa insuficiência istmo-cervical? Karina Zulli: É a incapacidade do colo uterino, congênita ou adquirida, de manter uma gravidez até o final. Geralmente a mulher só descobre após abordo espontâneo sem motivo aparente.

S.M: Quais os principais sintomas? K.Z: Mais frequente no segundo trimestre da gestação, os principais sintomas são a dilatação prematura e indolor do colo, abortos tardios de repetição e quando há identificação do sangramento, sensação de peso na vagina ou ruptura da bolsa de água (está em vigência o aborto espontâneo).

S.M: Antes mesmo de engravidar, é possível identificar a presença da doença? K.Z: É possível suspeitar, mas definir a doença, infelizmente, só através do exame clínico. A histerossalpingografia [raio-x contrastado da cavidade uterina e de suas tubas. Ele é realizado em série, com a injeção de um líquido (contraste iodado) através do orifício do colo do útero, com o auxílio de uma sonda fina] com istmo de colo alargado para mais de 0,5 cm e ultrassom com comprimento de colo uterino menor de 2 cm são identificações suspeitas. Mesmo assim, pacientes com estas medidas normais também não estão isentas da ocorrência clinica. No caso de suspeita, o indicado é repouso, cerclagem e uteroliticos (medicações de diminuição de contratilidade uterina).

S.M: Qual a sua causa? Existe o fator hereditário? K.Z: O agente determinante é a insuficiência do colo uterino de origem vital, ou seja, a paciente nasce com a alteração. Porém pode ser por agressão local prévia, por procedimento cirúrgico ou parto normal anteriores que tiveram complicações e levaram à alteração.

S.M: Como é feito o diagnóstico? K.Z: Na primeira gestação é por avaliação ultrassonográfica da medida do colo uterino na 20ª semana. A identificação de um colo uterino curto (menos de 2,5 cm) ou encurtamento /afunilamento do mesmo durante a manobra de compressão do fundo do útero, sugerem risco elevado de prematuridade e podem ser a primeira pista de IIC em pacientes que não apresentam os sintomas ou sem antecedentes clínicos.

S.M: Existe tratamento? Como é feito? K.Z: Tratamento ainda não existe. Levar a gestação até o final é possível através das medidas assistenciais como: cerclagem (costura do colo uterino antes da 13a semana para tentar impedir dilatação antes do tempo desejado), repouso absoluto nos últimos seis meses da gravidez e administração de medicamentos que evitam contrações uterinas.

Conclusão Médica: A IIC trata-se de uma doença com incidência de 1 entre 1000 mulheres, e que na primeira gestação, deve-se avaliar com mais rigor a evolução, com atenção redobrada ao comprimento do colo uterino para que diante de qualquer encurtamento, além do esperado, haja tempo para intervenção cirúrgica e clínica.

Em perda gestacional anterior a partir de 18 semanas e diante de uma paciente com histórico de cirurgia em colo uterino prévia, considerar desde o início os cuidados.

FONTE: http://semprematerna.uol.com.br/gravidez/insuficienciaistmocervicalafetaagestante

Pesquisa determina para quais mulheres progesterona é útil na prevenção de parto prematuro

Administrado por meio de injeção ou aplicação via vaginal, o hormônio progesterona tem ajudado a reduzir a probabilidade de ocorrência de parto prematuro nas gestantes que já deram a luz prematuramente uma vez.

Dois experimentos realizados anteriormente também descobriram que a progesterona pode ser aplicada na prevenção do parto prematuro em mulheres que possuem colo uterino curto, outro grupo de risco conhecido. Esses estudos usaram o medicamento via vaginal e analisaram apenas as gestantes cujo tamanho do colo uterino era inferior a 20 milímetros – apenas 2% da população.

Os cientistas tinham esperança de que o hormônio beneficiasse mais mulheres, reduzindo de forma considerável o número de nascimentos prematuros a cada ano.

Um novo experimento duplo-cego randomizado, publicado online no periódico The American Journal of Obstetrics & Gynecology, relata que a eficácia da progesterona injetável abrange um grupo de risco bem mais numeroso: as mulheres cujo comprimento do colo uterino é menor que 30 milímetros – 10% do total. O risco de essas mulheres darem à luz prematuramente – aproximadamente 25%  – é quase igual ao das que já passaram por essa experiência.

“O estudo acentua a importância desses dados porque o fato de a progesterona surtir efeito para um dos grupos que corre risco de dar à luz prematuramente não significa que funcione para os outros”, afirmou William A. Grobman, principal autor do estudo e professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade Northwestern.

Os pesquisadores distribuíram aleatoriamente 657 gestantes em dois grupos: um recebeu injeções de um tipo de progesterona e o outro, injeções de placebo. Todas as mulheres estavam em sua primeira gestação com um único bebê e a medida do colo do útero de todas era inferior a 33 milímetros entre a 16ª e a 22ª semana de gestação. O acompanhamento das gestantes continuou após a alta do hospital.

Os cientistas não descobriram diferenças significativas nos resultados dos nascimentos dos dois grupos. Entre as gestantes que receberam a progesterona, 25,1% deram à luz prematuramente (com menos de 37 semanas de gestação) e, entre as que receberam placebo, esse número foi 24,2%.

A idade gestacional média ao dar à luz foi igual nos grupos. O número de partos ocorridos antes da 35ª, 32ª e 28ª semanas foi praticamente igual nos dois grupos.

Os pesquisadores também não descobriram diferenças entre os dois grupos ao realizar mais de doze tipos diferentes de avaliações da saúde maternal e fetal. Até os efeitos colaterais – em sua maioria dor ou desconforto no local da injeção – foram os mesmos.

Sonia S. Hassan, decana adjunta da área de saúde maternal, perinatal e infantil da Universidade Wayne State, em Detroit, assim como alguns pesquisadores, defende o exame de avaliação do comprimento do colo uterino.

“Caso se constate que ele é curto”, afirmou “a gestante deve receber progesterona via vaginal”. A forma injetável geralmente é usada em mulheres que já deram à luz prematuramente antes. “Eu aconselharia a gestante a conversar com seu médico para saber se está apta a esse tratamento.”

O medicamento de aplicação vaginal não foi testado no grupo mais numeroso de gestantes, cujo comprimento do colo uterino é inferior a 30 milímetros, apenas em um grupo relativamente menor, cuja medida do colo uterino é 20 milímetros.

Grobman lembrou os enormes problemas que o parto prematuro gera para o sistema de saúde e a economia.

“É muito importante procurar saber quais grupos podem se beneficiar e se nossas estratégias podem ser úteis de um modo geral na prevenção do parto prematuro”, afirmou.

Álcool durante a gravidez triplica risco de parto prematuro

Controle-se quando o assunto em questão é álcool na gravidez. Uma pesquisa do Trinity College Dublin, na Irlanda, indica que beber muito (pelo menos 20 unidades de álcool por semana ou uma taça grande de vinho por dia) pode triplicar o risco de parto prematuro e representar 50% de probabilidade do bebê nascer com pouco peso ou morrer logo após o nascimento, como informou o jornal Daily Mail.

Os cientistas entrevistaram mais de 60 mil mães para saber quanto elas ingeriram de álcool ao engravidar e durante as primeiras semanas de gestação. Segundo o site Science Daily, 71% delas admitiram beber ocasionalmente; 10%, quantidade moderada (6 a 20 unidades por semana); duas em 1 mil, consumia grande quantia (mais de 20 unidades). Cada unidade equivale a 10 gramas de álcool.

Foram relatados três casos de síndrome alcoólica fetal (que pode causar problemas físicos e mentais), sendo um deles em uma criança com mãe que declarou consumir pouco álcool.

A equipe disse ao jornal Daily Mail que precisa de mais levantamentos para abordar especificamente os efeitos da ingestão leve de álcool na gravidez para que possa ser considerado algo seguro. A publicação BMC Pregnancy and Childbirth divulgou esses dados.

FONTE: http://saude.terra.com.br/gestacao/alcool-durante-a-gravidez-triplica-risco-de-parto-prematuro,3e18468614f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html