Medidas simples ajudam a aliviar dores comuns na gravidez e evitam o uso de remédios

Para gerar uma vida, o corpo feminino passa por uma grande transformação durante a gestação. As alterações dessa fase interferem em vários sistemas, principalmente nos osteo-músculo-articular, digestório, circulatório e respiratório. “Todas essas modificações têm como objetivo adaptar o organismo para carregar e nutrir o feto”, afirma o ginecologista e obstetra Alberto Jorge Guimarães, mestre pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Guimarães afirma que essas mudanças no corpo da mulher fazem parte de toda gestação normal e, apesar do desconforto e das muitas dores que elas podem causar, o uso de qualquer remédio sem prescrição médica é perigoso.

“Os medicamentos devem ser usados apenas com indicação médica e nos casos de dor extrema, nos quais já foram tentadas todas as estratégias não medicamentosas e elas não funcionaram”, declara o especialista.

Flávia Fairbanks, ginecologista do Hospital São Luiz, em São Paulo, mestre em ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), afirma  que muitos remédios podem afetar os órgãos do bebê, que estão em formação. “Os anti-inflamatórios, por exemplo, podem comprometer algumas estruturas do coração da criança”, diz a especialista.

Os incômodos mais frequentes

Primeiro trimestre Logo no início da gravidez, é comum que a mulher apresente dor nos seios, que tende a regredir espontaneamente. “O uso de sutiãs adequados, com alças largas e apoio nas costas, minimiza o desconforto”, diz a ginecologista e obstetra Bárbara Murayama.
Para a ginecologista e obstetra Denise Gomes, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), alguns sintomas podem ser contornados com uma boa alimentação.
“A gestante tem de se alimentar bem, pensar no que vai ingerir e não comer muito. O ganho de peso deve ser, no máximo, entre dez e 12 quilos durante a gestação inteira”, diz a médica. Denise afirma que alimentos ricos em sal podem piorar muito o inchaço, um dos incômodos do primeiro trimestre, e devem ser evitados. Frituras também precisam ser riscadas do cardápio da grávida.

Ingerir porções menores e não ficar mais do que três horas sem comer são outros cuidados que permitem que a mulher drible o enjoo, tão comum no início da gestação, sem ter de apelar para um remédio que iniba os vômitos.

“Em contrapartida, água e líquidos em geral, sem açúcar, devem ser ingeridos com abundância, pois ajudam no funcionamento do intestino, do sistema urinário e ainda auxiliam a reduzir o edema ou inchaço”.

De acordo com o ginecologista e obstetra Alfonso Massaguer, especialista em reprodução humana pelo Instituto Universitário Dexeus, de Barcelona, as dores de cabeça também podem se intensificar ao longo da gravidez. “Os altos níveis hormonais podem piorar quadros de enxaqueca nas pacientes predispostas”. E a alimentação balanceada ajuda a evitar esse problema também.

Para buscar alívio para as enxaquecas, Flávia Fairbanks diz que a gestante pode fazer escalda-pés e massagear as têmporas com as pontas dos dedos, em movimentos circulares. “Mas o repouso é a principal recomendação”, declara a especialista.

Segundo trimestreNessa fase, de acordo com os especialistas, é comum a mulher sentir a chamada dor no baixo ventre, que acontece em função do crescimento do útero, que passa a pressionar músculos, ligamentos, veias e outros tecidos do corpo.

“A dor no baixo ventre, que lembra a cólica menstrual, causa medo de abortamento, mas geralmente cessa espontaneamente, sem a necessidade de medicação”, declara Alberto Guimarães. Para amenizar o problema, a mulher pode tomar banhos quentes ou usar bolsas térmicas no local. Se a dor não melhorar ou houver sangramento, a gestante deve procurar imediatamente o médico com quem faz o pré-natal.

O que também ocorre nesse período da gravidez é o peso do útero modificar o eixo gravitacional da mulher. A gestante passa a curvar mais a coluna –desenvolvendo hiperlordose (aumento da curvatura da região lombar) e hipercifose (aumento da curvatura da região dorsal)– e a alargar a base de sustentação, andando com os pés afastados. Tudo isso leva à utilização de grupos musculares que não são rotineiramente solicitados e pode provocar desconforto na coluna e fadiga. “Alongamento e atividade física regulares ajudam a estabilizar e a fortalecer os grupos musculares mais solicitados”, afirma Malaguer.

Terceiro trimestreOs incômodos articulares causados pelo acúmulo de líquido podem estar mais presentes à medida em que a gravidez progride e o peso da gestante aumenta, sobretudo em mulheres menos ativas fisicamente. “No último trimestre, algumas grávidas se referem às dores nas virilhas”, afirma o ginecologista e obstetra Cláudio Basbaum, introdutor do Parto Leboyer (nascimento sem violência) e da Técnica de Shantala (massagem para bebês), no Brasil e obstetra da Maternidade São Luiz, em São Paulo.

“Nessa fase recomendamos a prática de exercícios físicos sem impacto com fortalecimento, como o alongamento e o relaxamento muscular, massagens e imersões em água aquecida, além de usar calçado de salto baixo e adequado“, segundo o médico.
Outras medidas gerais são válidas para todas as gestantes. “Adotar a postura ereta ao sentar, usar colchão mais firme, evitar carregar excesso de peso e deitar-se de lado –de preferência com uma almofada entre os joelhos– são atitudes que facilitam a rotina sem grandes incômodos”, segundo Basbaum. O médico sugere que, ao se levantar, a grávida  tome o cuidado de, primeiro, se acomodar em ‘posição fetal’ para elevar-se de lado, para não forçar a coluna.
Anúncios

Aprenda a cuidar dos pés durante a gravidez para evitar dores e desconforto

Os pés podem até ser relegados a segundo plano na correria do dia a dia, mas, quando a mulher está grávida, a falta de cuidados com essa importante parte do corpo pode ocasionar muito desconforto. E as modificações fisiológicas da gestação induzem o aparecimento muito mais frequente de ressecamentos, rachaduras, inchaços e até dores.
Segundo Rosa Maria Neme, membro da equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein e da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, o aumento da produção do hormônio feminino progesterona é o grande responsável pelos inchaços, que acontecem no corpo todo, não só nos pés. “O que ocorre é que a ação da gravidade faz com que pés e mãos sejam os primeiros lugares onde o inchaço se manifesta”, explica.
O aumento de peso, natural nessa fase, também aumenta a pressão nos calcanhares, além da compressão das veias na região do abdome, devido ao aumento do útero e do bebê, que dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração. De acordo com o dermatologista Adilson Costa, chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, toda essa pressão extra faz com que as bordas livres dos pés fiquem mais espessas e comecem a rachar. “A dica é hidratar muito e controlar, na medida do possível, o sobrepeso”, explica.

O que evitar

Há diversos hidratantes e esfoliantes para pés e corpo disponíveis no mercado, mas as grávidas devem escolher produtos que não contenham concentrações de ureia acima de 3%. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a substância atravessa facilmente a barreira placentária e pode causar danos ao bebê. Além da ureia, a gestante também deve ficar atenta a cremes que contenham lactato de amônio, outra substancia utilizada como coadjuvante na hidratação cutânea.

De acordo com a dermatologista Marcia Donadussi, membro das Academias Brasileira e Americana de Dermatologia, a melhor escolha são hidratantes neutros, com formulação suave. “Os esfoliantes podem ser utilizados semanalmente, mas se os pés estiverem inchados e a pele da região mais sensível, seu uso deve ser bastante cauteloso”, recomenda. “Além disso, para evitar frieiras, é importante secar muito bem entre os dedos, já que toda mulher grávida é mais susceptível aos fungos.”
Além do uso diário de cremes umectantes, as massagens nas pernas e pés são sempre bem-vindas. Marcia recomenda banhos de imersão com sais que ajudam a diminuir o desconforto causado pelo inchaço. A velha dica de erguer as pernas sempre que possível também é muito útil, além do uso de meias elásticas apropriadas. “Ficar muito tempo sentada ou em pé dificulta a circulação sanguínea, o ideal é alternar com exercícios leves ou pequenas caminhadas”, recomenda Marcia.

A escolha do sapato ideal também é fundamental. Rosa Maria sugere o uso de calçados baixos, mas que tenham saltos grossos, de cerca de três centímetros. Essa inclinação dos pés favorece a estabilidade na coluna lombar e oferece menos risco de desequilíbrios e quedas. “A longo prazo, os saltos muito altos ou muito baixos podem gerar dor lombar na gravidez.”
Com relação à alimentação, as gestantes devem ter cuidado redobrado. Um simples salgadinho de pacote pode significar retenção de líquido e inchaço, em consequência do excesso de sódio. Uma alimentação equilibrada, como sempre, é a melhor recomendação.

Pedicure

Não é porque a mulher está grávida que ela deve abandonar hábitos comuns de beleza, como tratar e pintar as unhas dos pés. Visitas à pedicure podem ser mantidas na gestação e todos os esmaltes estão liberados. Mas é importante lembrar que o uso de material esterilizado é uma importante questão de saúde.

“A mulher que está grávida deve evitar contaminação tanto por fungos como por vírus”, explica Marcia. Para a médica, a gestante deveria evitar o hábito comum entre as brasileiras de retirar as cutículas, já que essa pele forma uma verdadeira barreira contra a penetração dos agentes infecciosos. Além disso, o corte quadrado das unhas também diminui as chances de encravarem e infeccionarem.

FONTE: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2012/09/24/aprenda-a-cuidar-dos-pes-durante-a-gravidez-para-evitar-dores-e-desconforto.htm