Estudo descarta vínculo entre vacina da gripe e aborto espontâneo

Matéria do UOL Notícias sobre vacina da gripe em gestantes. Importante, pois, algumas vezes, existe receio por parte das pacientes em seguir as recomendações de vacinação orientadas por seu obstetra. Boa leitura!!!

 

A vacina contra a gripe não aumenta o risco de aborto espontâneo ou morte pré-natal, segundo um estudo celebrado na Noruega e publicado nos Estados Unidos sobre o imunizante contra o vírus H1N1, predominante durante a pandemia de 2009-2010.

No entanto, as grávidas que contraem a gripe correm um risco maior de perder o bebê, lembraram os autores deste estudo, divulgado na edição da última quinta-feira (17) do periódico New England Journal of Medicine.

As autoridades norueguesas tinham incentivado as grávidas a tomar a vacina, mas a informação publicada na imprensa de que a vacina contra a gripe aumentava o risco de perder o bebê levou um grande número de norueguesas a não se vacinar.

Cientistas americanos e noruegueses chegaram a essa conclusão no estudo analisando os expedientes médicos, particularmente aqueles do sistema de saúde da Noruega.

Eles analisaram dados provenientes das consultas médicas, dos registros de nascimento e também aqueles provenientes da vacinação de mulheres grávidas contra a gripe.

Segundo a pesquisa, o risco de perder o bebê pode ser multiplicado por dois se a mulher grávida contrair a gripe, enquanto a vacinação demonstrou que este risco diminui.

“O mais importante é que a vacinação protege as mulheres grávidas contra a gripe, que pode ser nefasta tanto para a mãe quanto para a criança”, afirmou o doutor Allen Wilcox, dos Institutos Americanos da Saúde (NIH, na sigla em inglês), co-autor do estudo.

A pesquisa foi realizada a partir da pandemia de gripe com o vírus H1N1, registrada em 2009-2010.

 

FONTE: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/afp/2013/01/18/estudo-descarta-vinculo-entre-vacina-da-gripe-e-aborto-espontaneo.htm

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Insuficiência Istmo-Cervical afeta a gestante

Você já ouviu falar em Insuficiência Istmo-cervical (IIC)? Se a resposta for negativa, você não está sozinha. A IIC é uma doença que acomete mulheres durante a gravidez e que, muitas vezes, só é descoberta tardiamente. Pouco conhecida, essa patologia atinge 1% das gestantes.

Para esclarecer e orientar as mamães, a Sempre Materna conversou com a Dra. Karina Zulli, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz.

Sempre Materna: O que significa insuficiência istmo-cervical? Karina Zulli: É a incapacidade do colo uterino, congênita ou adquirida, de manter uma gravidez até o final. Geralmente a mulher só descobre após abordo espontâneo sem motivo aparente.

S.M: Quais os principais sintomas? K.Z: Mais frequente no segundo trimestre da gestação, os principais sintomas são a dilatação prematura e indolor do colo, abortos tardios de repetição e quando há identificação do sangramento, sensação de peso na vagina ou ruptura da bolsa de água (está em vigência o aborto espontâneo).

S.M: Antes mesmo de engravidar, é possível identificar a presença da doença? K.Z: É possível suspeitar, mas definir a doença, infelizmente, só através do exame clínico. A histerossalpingografia [raio-x contrastado da cavidade uterina e de suas tubas. Ele é realizado em série, com a injeção de um líquido (contraste iodado) através do orifício do colo do útero, com o auxílio de uma sonda fina] com istmo de colo alargado para mais de 0,5 cm e ultrassom com comprimento de colo uterino menor de 2 cm são identificações suspeitas. Mesmo assim, pacientes com estas medidas normais também não estão isentas da ocorrência clinica. No caso de suspeita, o indicado é repouso, cerclagem e uteroliticos (medicações de diminuição de contratilidade uterina).

S.M: Qual a sua causa? Existe o fator hereditário? K.Z: O agente determinante é a insuficiência do colo uterino de origem vital, ou seja, a paciente nasce com a alteração. Porém pode ser por agressão local prévia, por procedimento cirúrgico ou parto normal anteriores que tiveram complicações e levaram à alteração.

S.M: Como é feito o diagnóstico? K.Z: Na primeira gestação é por avaliação ultrassonográfica da medida do colo uterino na 20ª semana. A identificação de um colo uterino curto (menos de 2,5 cm) ou encurtamento /afunilamento do mesmo durante a manobra de compressão do fundo do útero, sugerem risco elevado de prematuridade e podem ser a primeira pista de IIC em pacientes que não apresentam os sintomas ou sem antecedentes clínicos.

S.M: Existe tratamento? Como é feito? K.Z: Tratamento ainda não existe. Levar a gestação até o final é possível através das medidas assistenciais como: cerclagem (costura do colo uterino antes da 13a semana para tentar impedir dilatação antes do tempo desejado), repouso absoluto nos últimos seis meses da gravidez e administração de medicamentos que evitam contrações uterinas.

Conclusão Médica: A IIC trata-se de uma doença com incidência de 1 entre 1000 mulheres, e que na primeira gestação, deve-se avaliar com mais rigor a evolução, com atenção redobrada ao comprimento do colo uterino para que diante de qualquer encurtamento, além do esperado, haja tempo para intervenção cirúrgica e clínica.

Em perda gestacional anterior a partir de 18 semanas e diante de uma paciente com histórico de cirurgia em colo uterino prévia, considerar desde o início os cuidados.

FONTE: http://semprematerna.uol.com.br/gravidez/insuficienciaistmocervicalafetaagestante

Perdas Recorrentes

Amigas,

acompanho em meu consultório muitas mulheres com histórias obstétricas extremamente tristes. Emociono-me quando essas pacientes descrevem suas gestações, e com os olhos cheios de lágrimas, relatam suas difíceis experiências frente a abortamentos espontâneos e óbitos fetais.

Nem sempre a Obstetrícia é feita de alegrias. Nem sempre o momento do parto é recheado de felicidade. Nem sempre o Centro Obstétrico é um lugar de satisfação. Para algumas pacientes, a experiência mais dolorosa das suas vidas acontece em um ambiente aonde teoricamente o nascimento seria a realização do sonho da maternidade. Entretanto, infelizmente, essas mães não saem com o filho nos braços.

Existem inúmeras causas para os abortamentos espontâneos e os óbitos fetais. Algumas delas desconhecidas, outras imprevisíveis. Contudo, a Ciência vem cada vez mais elucidando essas lacunas e proporcionando que essas mulheres, no passado, possuidoras de gestações impossíveis, consigam hoje  engravidar e dar a luz à crianças saudáveis.

Muitas senhoras chegam ao meu consultório com histórias de quatro, cinco ou seis abortamentos consecutivos e, ainda sem a devida pesquisa da causa dessas perdas recorrentes. Questões relacionadas a fatores genéticos, imunidade do casal, trombofilias, hormônios, hábitos de vida, além de mal-formações uterinas, precisam ser avaliadas.

Entretanto, a maioria desses questionamentos devem ser investigados antes da gravidez. A avaliação pré-concepcional visa esclarecer e antecipar possíveis problemas garantindo que o tratamento seja introduzido previamente a gestação, ou o mais precocemente possível. Mas, nem sempre, é assim!

Lembro-me de uma jovem senhora, casada havia seis anos, cuja a história obstétrica se resumia a sete abortamentos. Procurou-me já gestante, em sua oitava gravidez, por volta da décima semana. Solicitei exames e após a chegada dos valores e laudos, introduzi um tratamento muito rigoroso por conta de um diagnóstico de Síndrome Anti-fosfolípide.

Obviamente, nesses casos, a vontade da paciente é imensamente importante. Eram doses diárias de heparina, comprimidos de ácido acetil-salicílico, além de outras medicações coadjuvantes e exames laboratoriais e de imagem frequentes. O esforço rendeu resultado e a radiante mamãe concebeu um lindo bebê pesando 3350 gramas.

Outra linda experiência refere-se a uma paciente com uma história de óbito fetal por volta de 27 semanas de gravidez por conta de pré-eclâmpsia grave. Venho para a consulta novamente gestante, entretanto, evoluiu com um abortamento precoce por volta da oitava semana de gestação. Apesar de muito abalada por causa de sua segunda perda, não desistiu do sonho de ser mãe e fizemos um pacto. Após reunir forças, ela retornaria ao consultório para realizarmos uma avaliação pormenorizada das causas dos seus insucessos gestacionais, antes de uma nova gravidez.

E assim ela fez. Retornou para a avaliação pré-concepcional e foi feito o diagnóstico de uma trombofilia. Na data oportuna, introduzimos o tratamento pertinente. Por volta da 35a semana de gestação, a paciente evoluiu novamente com um quadro de pré-eclâmpsia grave. Contudo, por conta da vigilância materna e fetal rigorosas, a paciente deu a luz a uma linda e saúdavel bebê de 2450g sem comprometimentos para a saúde da mãe e da criança.

Escrevo isso, como forma de incentivar as pacientes que, por vários motivos, não tem o sonho da maternidade ainda concretizado. Essas mulheres devem procurar seus obstetras e com força de vontade realizar as pesquisas e os tratamentos pertinentes. Nem sempre é uma tarefa fácil, mas a escolha de um bom especialista, a realização da avaliação pré-concepcional e o respeito às orientações e prescrições médicas garantirão o resultado esperado.

Toda a mulher tem o direito divino de ser mãe. A Medicina, criada por Deus, é uma ferramenta para este sonho. Tenha fé e confie em seu médico!