Pesquisa determina para quais mulheres progesterona é útil na prevenção de parto prematuro

Administrado por meio de injeção ou aplicação via vaginal, o hormônio progesterona tem ajudado a reduzir a probabilidade de ocorrência de parto prematuro nas gestantes que já deram a luz prematuramente uma vez.

Dois experimentos realizados anteriormente também descobriram que a progesterona pode ser aplicada na prevenção do parto prematuro em mulheres que possuem colo uterino curto, outro grupo de risco conhecido. Esses estudos usaram o medicamento via vaginal e analisaram apenas as gestantes cujo tamanho do colo uterino era inferior a 20 milímetros – apenas 2% da população.

Os cientistas tinham esperança de que o hormônio beneficiasse mais mulheres, reduzindo de forma considerável o número de nascimentos prematuros a cada ano.

Um novo experimento duplo-cego randomizado, publicado online no periódico The American Journal of Obstetrics & Gynecology, relata que a eficácia da progesterona injetável abrange um grupo de risco bem mais numeroso: as mulheres cujo comprimento do colo uterino é menor que 30 milímetros – 10% do total. O risco de essas mulheres darem à luz prematuramente – aproximadamente 25%  – é quase igual ao das que já passaram por essa experiência.

“O estudo acentua a importância desses dados porque o fato de a progesterona surtir efeito para um dos grupos que corre risco de dar à luz prematuramente não significa que funcione para os outros”, afirmou William A. Grobman, principal autor do estudo e professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade Northwestern.

Os pesquisadores distribuíram aleatoriamente 657 gestantes em dois grupos: um recebeu injeções de um tipo de progesterona e o outro, injeções de placebo. Todas as mulheres estavam em sua primeira gestação com um único bebê e a medida do colo do útero de todas era inferior a 33 milímetros entre a 16ª e a 22ª semana de gestação. O acompanhamento das gestantes continuou após a alta do hospital.

Os cientistas não descobriram diferenças significativas nos resultados dos nascimentos dos dois grupos. Entre as gestantes que receberam a progesterona, 25,1% deram à luz prematuramente (com menos de 37 semanas de gestação) e, entre as que receberam placebo, esse número foi 24,2%.

A idade gestacional média ao dar à luz foi igual nos grupos. O número de partos ocorridos antes da 35ª, 32ª e 28ª semanas foi praticamente igual nos dois grupos.

Os pesquisadores também não descobriram diferenças entre os dois grupos ao realizar mais de doze tipos diferentes de avaliações da saúde maternal e fetal. Até os efeitos colaterais – em sua maioria dor ou desconforto no local da injeção – foram os mesmos.

Sonia S. Hassan, decana adjunta da área de saúde maternal, perinatal e infantil da Universidade Wayne State, em Detroit, assim como alguns pesquisadores, defende o exame de avaliação do comprimento do colo uterino.

“Caso se constate que ele é curto”, afirmou “a gestante deve receber progesterona via vaginal”. A forma injetável geralmente é usada em mulheres que já deram à luz prematuramente antes. “Eu aconselharia a gestante a conversar com seu médico para saber se está apta a esse tratamento.”

O medicamento de aplicação vaginal não foi testado no grupo mais numeroso de gestantes, cujo comprimento do colo uterino é inferior a 30 milímetros, apenas em um grupo relativamente menor, cuja medida do colo uterino é 20 milímetros.

Grobman lembrou os enormes problemas que o parto prematuro gera para o sistema de saúde e a economia.

“É muito importante procurar saber quais grupos podem se beneficiar e se nossas estratégias podem ser úteis de um modo geral na prevenção do parto prematuro”, afirmou.

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