Anemia na gestação pode causar partos prematuros, abortos e problemas para o bebê: Texto comentado

Cansaço, tonturas, queda de cabelo, dores de cabeça e nas pernas, falta de apetite e de concentração. Não, esses não são sintomas normais da gestação, mas
indícios de que você pode estar com anemia. (Na verdade, excetuando a falta de concentração, todos os outros sintomas podem estar associados a gestação) Muito comum a partir do quinto mês de gravidez, ela é causada pela falta de ferro no sangue. E se não for tratada a tempo, pode causar partos prematuros, abortos, além de baixo peso no bebê e dificuldades de crescimento. Por isso, muita atenção ao que você anda colocando no prato. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 65% das mulheres sofrem de anemia e a maioria dos casos é conseqüência de uma má alimentação. Fique de
olho!

“A anemia se caracteriza pela diminuição de células sangüíneas – hemácias – responsáveis pelo transporte de oxigênio da mãe para o bebê. (Alguns tipos de anemia podem estar relacionados também a diminuição da concentração de hemoglobina. Na gestação, a anemia mais comum é a dilucional, que pode ser prevenida e tratada) É muito comum após 20 semanas de gravidez, já que o sangue da gestante tende a diluir.

Também pode surgir na amamentação, já que parte do ferro da mãe passa para o bebê através do leite”, explica a ginecologista e obstetra da Unifesp Carolina Ambrogini. As anemias também são comuns antes da menopausa e no início da puberdade, quando a perda de sangue pela menstruação e as alterações hormonais aumentam a queima de ferro.
No exame físico já é possível ver se a gestante está com anemia, pois a pele fica pálida e as mucosas descoradas.

No entanto, as anemias podem ser causadas por diversos fatores. Constatado o quadro anêmico, o melhor a fazer é investigar as possíveis razões. “Existem vários tipos de anemia. Algumas raras, em que a pessoa, antes mesmo de engravidar, já apresenta uma deficiência na formação da hemoglobina. Nesse caso, vale atenção redobrada já que essa anemia acaba por se acentuar na gravidez”, lembra a especialista. A falta de ácido fólico e vitamina B12, por exemplo, também desencadeia o problema. “Por isso, é comum que o obstetra recomende suplementos de ácido fólico quando a mulher ainda está pensando em engravidar”, esclarece a nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) e do Hospital das Clínicas da USP, Mônica Beyruti.  (Habitualmente, a principal indicação de suplementação de ácido fólico antes da gravidez está relacionada a prevenção de defeitos do fechamento do tubo neural. A anemia falciforme e a anemia megaloblástica também podem ser tratadas com o ácido fólico, entretanto, existe uma diferença na dosagem prescrita quando comparada a prevenção dos defeitos do tubo neural) Quadros anêmicos podem, ainda, ter origem imunológica ou genética – como na doença falciforme e na anemia mediterrânea – ou, ainda, serem causados pelo uso prolongado de certos medicamentos, por hemorragias e por doenças como hipotireoidismo, doenças renais e hepatite.

De olho na alimentação

Entretanto, a maior parte dos casos em que as grávidas apresentam redução de hemácias no organismo se deve a uma alimentação inadequada. Por medo de engordar, ou pela falta de informação acerca do que comer, muitas gestantes adotam dietas pobres em nutrientes. “A gestante deve procurar um acompanhamento com o nutricionista durante a gravidez. É normal que ela ganhe peso, mas este deve estar dentro dos padrões saudáveis para a saúde do bebê”, aconselha Mônica. Por isso, não é
porque você está esperando uma criança que deve comer em dobro! Qualidade não é sinônimo de quantidade. O ideal, segundo os especialistas, é que a mulher ganhe até 12 quilos durante toda a gestação. E a mágica para isso acontecer é manter uma alimentação saudável e equilibrada. “No prato da gestante deve haver de 50% a 60% de carboidratos, 15% de proteínas e até 30% de gordura, dando preferência
às monoinsaturadas e polinsaturadas”, recomenda a nutricionista.

E para evitar a anemia, é fundamental não se esquecer do ferro! “Existem dois tipos de ferro: ferro heme e não heme. O primeiro é encontrado em carnes – vermelha, de frango, peixe – e é bem aproveitado pelo organismo. Já o segundo possui menor grau de absorção. É o ferro dos vegetais escuros, das leguminosas e grãos”, ensina Mônica Beyruti. Portanto, de nada adianta se entupir de espinafre, couve e agrião e esquecer das carnes. São elas que aumentam o poder de absorção do ferro não heme. Alimentos ricos em vitamina C (laranja, abacaxi, tangerina, maracujá, morango, goiaba, caju e acerola) e vitamina A (abóbora, cenoura, tomate e frutas de cor amarelo-alaranjada) também potencializam a assimilação do
mineral no corpo. Por outro lado, evite chás, café, refrigerantes, farelos crus e alimentos ricos em cálcio (leite e derivados, por exemplo), sobretudo nas refeições principais, pois eles prejudicam a absorção total do ferro.

Os especialistas garantem que o ideal é que a futura mamãe ingira cerca de 30 miligramas diárias de ferro. No entanto, muitas vezes, mesmo com uma alimentação saudável e balanceada, ela não consegue produzir toda essa quantidade. Nesses casos, é preciso recorrer aos suplementos, administrados durante a gestação e o período de amamentação. (A recomendação mais atual diz que toda a gestante deve realizar suplementação profilática de ferro independente dos níveis de hemoglobina ou da ingesta alimentar)

Se você desconfia que está anêmica, procure seu médico. “No exame físico já é possível ver se a gestante está com anemia, pois a pele fica pálida e as mucosas descoradas. Mas os testes feitos durante o
pré-natal e os hemogramas completos pedidos pelo médico durante a gestação ajudam a identificar como anda o seu nível de hemoglobinas”, alerta a ginecologista Carolina Ambrogini. A regra, então, é comer bem e ficar atenta aos sinais de seu corpo. Invista na sua saúde e na de seu bebê também.

* As inserções em negrito são contribuições e críticas de Dr. Paulo Gomes Filho

FONTE: http://itodas.uol.com.br/mae/anemia-na-gestacao-pode-causar-partos-prematuros-abortos-e-problemas-para-o-bebe-24174.html

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