Pesquisa determina para quais mulheres progesterona é útil na prevenção de parto prematuro

Administrado por meio de injeção ou aplicação via vaginal, o hormônio progesterona tem ajudado a reduzir a probabilidade de ocorrência de parto prematuro nas gestantes que já deram a luz prematuramente uma vez.

Dois experimentos realizados anteriormente também descobriram que a progesterona pode ser aplicada na prevenção do parto prematuro em mulheres que possuem colo uterino curto, outro grupo de risco conhecido. Esses estudos usaram o medicamento via vaginal e analisaram apenas as gestantes cujo tamanho do colo uterino era inferior a 20 milímetros – apenas 2% da população.

Os cientistas tinham esperança de que o hormônio beneficiasse mais mulheres, reduzindo de forma considerável o número de nascimentos prematuros a cada ano.

Um novo experimento duplo-cego randomizado, publicado online no periódico The American Journal of Obstetrics & Gynecology, relata que a eficácia da progesterona injetável abrange um grupo de risco bem mais numeroso: as mulheres cujo comprimento do colo uterino é menor que 30 milímetros – 10% do total. O risco de essas mulheres darem à luz prematuramente – aproximadamente 25%  – é quase igual ao das que já passaram por essa experiência.

“O estudo acentua a importância desses dados porque o fato de a progesterona surtir efeito para um dos grupos que corre risco de dar à luz prematuramente não significa que funcione para os outros”, afirmou William A. Grobman, principal autor do estudo e professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade Northwestern.

Os pesquisadores distribuíram aleatoriamente 657 gestantes em dois grupos: um recebeu injeções de um tipo de progesterona e o outro, injeções de placebo. Todas as mulheres estavam em sua primeira gestação com um único bebê e a medida do colo do útero de todas era inferior a 33 milímetros entre a 16ª e a 22ª semana de gestação. O acompanhamento das gestantes continuou após a alta do hospital.

Os cientistas não descobriram diferenças significativas nos resultados dos nascimentos dos dois grupos. Entre as gestantes que receberam a progesterona, 25,1% deram à luz prematuramente (com menos de 37 semanas de gestação) e, entre as que receberam placebo, esse número foi 24,2%.

A idade gestacional média ao dar à luz foi igual nos grupos. O número de partos ocorridos antes da 35ª, 32ª e 28ª semanas foi praticamente igual nos dois grupos.

Os pesquisadores também não descobriram diferenças entre os dois grupos ao realizar mais de doze tipos diferentes de avaliações da saúde maternal e fetal. Até os efeitos colaterais – em sua maioria dor ou desconforto no local da injeção – foram os mesmos.

Sonia S. Hassan, decana adjunta da área de saúde maternal, perinatal e infantil da Universidade Wayne State, em Detroit, assim como alguns pesquisadores, defende o exame de avaliação do comprimento do colo uterino.

“Caso se constate que ele é curto”, afirmou “a gestante deve receber progesterona via vaginal”. A forma injetável geralmente é usada em mulheres que já deram à luz prematuramente antes. “Eu aconselharia a gestante a conversar com seu médico para saber se está apta a esse tratamento.”

O medicamento de aplicação vaginal não foi testado no grupo mais numeroso de gestantes, cujo comprimento do colo uterino é inferior a 30 milímetros, apenas em um grupo relativamente menor, cuja medida do colo uterino é 20 milímetros.

Grobman lembrou os enormes problemas que o parto prematuro gera para o sistema de saúde e a economia.

“É muito importante procurar saber quais grupos podem se beneficiar e se nossas estratégias podem ser úteis de um modo geral na prevenção do parto prematuro”, afirmou.

Agradecimento: SOGIBA

Agradeço à SOGIBA pelo convite para a participação no Debate informal sobre pré-eclâmpsia e eclâmpsia no XIX Congresso Baiano de Ginecologia e Obstetrícia. O evento foi realizado nos dias 25, 26 e 27 de outubro e contou com a presença dos maiores nomes da especialidade da Bahia, bem como ilustres convidados nacionais e internacionais. Tive a honra de debater esses temas tão desafiadores com Dr. Nelson Sass (SP) e Dr. Pedro Paulo Bastos Filho (BA), tendo sido o moderador da discussão o Dr. David Nunes (BA).

Cultura de estreptococos do Grupo B: o que a gestante precisa saber.

Esse texto é para uma paciente minha que me ligou ansiosa!!!

Entre a 35a e 37a semana de gestação, o médico pré-natalista deve proceder a coleta de secreções para realização da cultura de estreptococos do grupo B (Streptococcus agalactiae).

Esse exame é de suma importância, devendo ser realizado em toda a gestante, pois  essa bactéria pode ser transmitida da mãe para o bebê no momento de sua passagem através do canal de parto. A infecção do neonato pelo estreptococos do grupo B pode causar sepse (infecção generalizada) nos primeiros sete dias de vida.

A coleta é realizada com o uso de  cotonetes os quais são introduzidos na vagina e no ânus. O material é então encaminhado para um laboratório de microbiologia onde se verifica o crescimento bacteriano.

Importante salientar que a transmissão mãe/bebê se dá através da passagem do concepto pelo canal de parto (vagina). Aquelas pacientes que terão seu filhos por cesárea eletiva (ou seja, hora marcada, fora de trabalho de parto e ausência de ruptura das membranas amnióticas) não precisam se preocupar.

Entretanto, reitero que toda a gestante deve fazer a cultura, pois mesmo naquelas candidatas à cesárea eletiva, imprevistos, como o desencadeamento do trabalho de parto ou perda de líquido amniótico, podem acontecer antes da data programada.

O uso de antibióticos para prevenção do quadro infeccioso do bebê é dado no decorrer do trabalho de parto ou horas antes do parto cesáreo nos casos de ruptura de bolsa.

Fiquem tranquilas, a taxa de sucesso é surpreendente!

Grande abraço!

Testes de gravidez de farmácia são confiáveis, independentemente do preço

Pela facilidade e comodidade, o teste de farmácia acaba sendo a primeira alternativa para muitas mulheres que suspeitam estar grávidas. O melhor é que, com alguns dos produtos à venda no mercado, é possível descobrir se um bebê está a caminho antes mesmo do atraso da menstruação, mas o ideal é esperar.

“Para a mulher de ciclo menstrual normal, com duração de 28 dias, é possível detectar uma gravidez quatro dias antes do atraso da menstruação”, diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo.

Os mesmos quatro dias valem para as de menstruação irregular, mas com uma ressalva importante: a base para a contagem deve ser feita pelo ciclo maior que a mulher teve nos últimos seis meses. Se esse foi de 30 dias, por exemplo, ela tem de considerar quando menstruaria, segundo esse ciclo, e contar quatro dias para trás para ter a melhor data para a realização do exame.
A precisão dos resultados de testes de farmácia varia de 95% a 99%, dependendo do produto e do fabricante. Com o resultado positivo em mãos, a primeira recomendação dos especialistas é marcar logo uma consulta com seu ginecologista para iniciar o pré-natal.

Atenção na hora de comprar

Todos os testes de farmácia têm o mesmo princípio: detectar a presença do hormônio gonadotrofina coriônica humana (HCG) na urina. “É a placenta do embrião que libera o HCG. A substância tem a função de estimular o ovário a manter a produção de outro hormônio, a progesterona, necessário para a continuidade da gravidez. Somente quando o embrião gruda na parede do útero é que o HCG é liberado. Quando isso acontece, a mulher está grávida”, afirma Nogueira.

Ao contrário do que se possa imaginar, o produto que custa mais não é necessariamente mais eficiente. Os mais baratos custam, em média, R$ 5; os mais caros cerca de R$ 50. A apresentação do resultado –há teste que apita em caso de positivo ou mostra uma cara triste, se negativo– pode fazer com que um seja mais caro ou barato do que outro, mas, para sua segurança, é importante prestar atenção a três fatores na hora da compra:
O primeiro é se o teste tem o selo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com o número de registro no Ministério da Saúde. O segundo é se o produto está bem armazenado e lacrado. O contato com a umidade e o calor pode alterar suas características e comprometer o resultado. O terceiro é se ele está dentro da data de validade.

Os kits têm, basicamente, duas apresentações. A primeira vem com um recipiente pequeno para se colocar a urina. Colhido o líquido nele, é só mergulhar a tira branca do teste no copo e aguardar o tempo recomendado pelo fabricante. Se aparecer apenas uma linha colorida na tira, o resultado é negativo. Duas linhas significam positivo. Caso não apareça nenhuma, o teste falhou e o procedimento deve ser repetido.
A outra apresentação, um pouco mais prática e mais cara, elimina a necessidade de recipiente. Basta colocar a ponta de uma caneta-bastão diretamente sobre o jato de urina e esperar o tempo indicado para aparecer o resultado. Seja qual for o tipo e a marca, o importante é ler com atenção a bula e seguir as instruções à risca. Em geral, elas são bem explicativas e trazem ilustrações mostrando o passo a passo do procedimento.
Algumas marcas pedem que o teste seja feito com a primeira urina do dia, outras não. A ginecologista e obstetra Karina Zulli, do Hospital e Maternidade São Luiz, também na capital paulista, afirma que não existe hora certa. “O importante é ficar duas horas sem urinar antes de fazer o exame, tempo necessário para a concentração de hormônio ser detectada.”

Controle a ansiedade

Apesar de ser possível fazer o teste antes mesmo de ser constatada a ausência de menstruação, a recomendação médica é que ele seja feito apenas após o atraso. “O ideal é esperar, pelo menos, dez dias de atraso, quando uma boa parte de abortos espontâneos precoces ocorre (nesse período, é comum acontecer de o óvulo fecundado não se fixar adequadamente na parede do útero). No entanto, se a mulher quer muito saber se está grávida ou não, recomenda-se, de forma geral, fazer o teste após o primeiro dia de atraso”, afirma o obstetra Eduardo Cordioli, coordenador médico da obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Outro motivo para não se apressar é evitar o chamado resultado falso-negativo. Ele acontece quando o teste indicou negativo, mas, na verdade, a mulher está grávida. O problema ocorre quando o procedimento é feito precocemente, sem que haja níveis suficientes do hormônio HCG no organismo.
Portanto, se o resultado for negativo e a menstruação não aparecer, espere alguns dias e tente de novo, já que os níveis do hormônio dobram a cada dois ou três dias. Além das apressadinhas, o falso-negativo acomete muito as mulheres de ciclo irregular, já que não há como precisar a data da menstruação.

“De forma geral, os testes são eficazes, porém se o resultado der negativo e a mulher continuar com sintomas clínicos de gravidez (menstruação atrasada, mamas inchadas, náuseas), é melhor procurar um médico imediatamente”, fala o obstetra Eduardo Cordioli.
Assim como há o falso-negativo, há o falso-positivo, mas esse é muito difícil de ocorrer, de acordo com os especialistas. As circunstâncias que favorecem esse erro são se o kit estiver com algum problema ou foi mal acondicionado; quando a mulher tem uma doença rara, como um tumor de placenta que produz o HCG; e quando a pessoa passou por tratamento de fertilidade, já que alguns medicamentos contêm o hormônio.

FONTE: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2012/10/15/testes-de-gravidez-de-farmacia-sao-confiaveis-independentemente-do-preco.htm

Como gestantes podem se defender de assédio moral no ambiente de trabalho

Quem nunca ouviu histórias de mulheres que começaram a ter problemas no trabalho quando contaram que estavam grávidas? Apesar de haver leis que protegem os direitos da funcionária durante a gestação e o pós-parto, muitas sofrem assédio moral dos chefes e de colegas de trabalho e ficam sem saber como agir em um dos momentos mais delicados de suas vidas.

Foi o que aconteceu com a assistente administrativa Vanessa Claudino. Quando ela engravidou de Pollyana, hoje com seis anos, recebeu os parabéns dos colegas do Sindicato onde trabalhava, mas logo começou a perceber por parte da chefia um desconforto em ter uma gestante na empresa. “Quando eu estava com sete meses de gestação me avisaram que eu iria ficar em casa até o nenê nascer, alegando que eu estava muito nervosa, o que não era verdade. Nesse dia me senti muito mal porque não sabia dessa decisão e fui pega de surpresa. Para mim ficou claro que eles não aprovavam minha gravidez, mas por força da lei tinham que continuar comigo”, desabafa Vanessa.

Ela acatou a decisão e foi para casa. Um mês depois, resolveu fazer um chá de bebê na empresa para os colegas. Levou tudo para a festa, mas quase ninguém apareceu. “Me senti um lixo, rejeitada, segurei o choro e aproveitei com alguns poucos amigos, com quem tenho contato até hoje”. Como ela já esperava, os chefes não ligaram quando o bebê nasceu e pouco antes da licença maternidade acabar, recebeu o aviso-prévio. “O que me deixou mais indignada era saber que eu trabalhava em um sindicato que foi criado para ajudar o trabalhador a proteger seus direitos, e me descartaram quando eu mais precisava de respaldo e de um salário”.

Hoje Vanessa trabalha em uma nova empresa, está novamente grávida e sendo mimada pelos colegas. “Já senti uma enorme diferença no tratamento perante essa nova gestação. Todos cuidam e zelam pelas grávidas aqui (são 3 gestantes na empresa nesse momento), pois entendem nossas ausências, nossas dificuldades e ajudam no que for possível.  E, além de tudo, temos uma creche onde podemos deixar nossos anjinhos até os sete anos de idade”, comemora a assistente administrativa.

Histórias como a de Vanessa são muito comuns. Quando uma funcionária engravida muitas empresas veem a gestante como um peso, já que ela se torna onerosa, pois a licença maternidade garante que ela fique em casa durante alguns meses recebendo o salário integral. Como a gestante não pode ser despedida sem justa causa, muitos chefes começam a assediar moralmente a funcionária, levando-a a pedir demissão.

A Dra. Marillia Cristiane Silveira Barbosa, advogada trabalhista do escritório Mello, Dabus e Rached Advogados, explica que a gestante deve, em primeiro lugar, conhecer o que é o Assédio Moral e distingui-lo de outras tensões no trabalho como desavenças eventuais, “stress” e contrariedades.

O assédio moral é uma insistência, perseguição e uma espécie de dano à integridade e à moral de um indivíduo. O assediado sente-se humilhado, diminuído e menosprezado diante do outro. Ele é caracterizado pela conduta abusiva do agressor, através de palavras, gestos, insinuações ofensivas e ameaças, causando constrangimento e situações vexatórias. Quando acontece dentro da empresa, o assédio moral degrada o clima de trabalho e coloca em risco o emprego da vítima.

Se constatado o assédio, a vítima deve comunicar rapidamente colegas de confiança e tomar alguns cuidados para tentar minimizar a situação ou até resolver o problema. “A gestante vítima de assédio moral deverá conversar com o agressor sempre na presença de testemunhas, reforçar a solidariedade no local de trabalho, como forma de coibir o agressor, criando uma rede de resistência às condutas de assédio moral”, diz a advogada.

Segundo a especialista, o ideal é que a gestante busque apoio psicológico da empresa para criar mecanismo de defesa e tomar consciência de que a culpa do que está acontecendo não é dela. A gestante que sofre abuso deve se dirigir à CIPA, Departamento de RH, ou ao SESMT (Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho) para buscar apoio. O Sindicato Profissional também pode oferecer orientação jurídica para denunciar a situação de assédio moral.

Se a vítima não conseguir controlar ou reverter a situação, deve denunciar o assédio ao Ministério do Trabalho e Emprego, ao Ministério Público do Trabalho, ou,  entrar com processo na Justiça do Trabalho.

A dificuldade quando se é vítima de assédio moral é que ela é uma agressão difícil de provar. O assediador nega a realidade da agressão enquanto as testemunhas, que em grande parte das situações são trabalhadores que se relacionam diariamente com o assediador, também não querem interferir porque temem represálias”, diz a Dra. Marília.

Com a auxiliar de pessoas Jane M., que prefere não ser identificada, aconteceu exatamente isso. Ela está com um processo contra a empresa onde trabalhava quando engravidou, na qual foi extremamente humilhada, mas a única pessoa que ia testemunhar a seu favor desistiu. “Tive a 1ª audiência, mas a recepcionista que trabalhava comigo e acompanhou tudo o que aconteceu desistiu do testemunho. A audiência foi adiada e estou aguardando a próxima, sem testemunha”, lamenta.

Jane começou a sofrer com as provocações logo após anunciar a gravidez. “O gerente a quem eu respondia começou a provocar situações onde tinham erros e me culpava, me intimava dizendo que se quisesse me mandaria embora, e dai por diante foi uma humilhação atrás da outra”, conta. Ela tentou procurar o dono da empresa, mas logo percebeu que a intenção dele também era pressioná-la para que pedisse demissão.

A situação da auxiliar chegou em um ponto em que o gerente arrumou uma desculpa, retirou o computador da sua mesa e bloqueou sua senha de acesso.“Depois de ficar uma semana impedida de trabalhar, o dono da empresa me retirou da sala onde eu estava e ordenou que eu passasse o resto da gestação na recepção com direito apenas de ir até a cozinha e banheiro”, conta Jane, que acabou pedindo demissão ao voltar de licença maternidade e ser rebaixada de cargo na empresa. Quando resolveu processar a empresa conversou com vários colegas de trabalho, mas ninguém quis colaborar por medo de perder emprego, apenas a recepcionista, que acompanhou tudo, mas acabou desistindo na hora do testemunho. Agora, Jane não sabe como irá provar as humilhações na próxima audiência.

A advogada Dra. Marillia Barbosa explica que as provas para instruir o processo são muito subjetivas, mas há outros meios de comprovar o assédio além do relato de testemunhas. “É indicado que se faça um registro diário de tudo o que acontece, quem presenciou, quem agiu, e como se sentiu, detalhando o dia a dia do trabalho, procurando coletar bilhetes do assediador, mensagens eletrônicas, documentos que comprovem o repasse de tarefas impossíveis de serem cumpridas ou inúteis, documentos que provem a perda de vantagens ou de postos, etc.”.

Pelas dificuldades de conseguir provas e até mesmo por medo de comprometer a vida profissional, muitas gestantes acabam desistindo do emprego e deixam de punir os agressores. Raquel, que prefere não se identificar, trabalhava de vendedora quando engravidou e logo começou a sofrer cobranças, ser ofendida por colegas e exercer funções que não eram suas. “Passei por enjoos quase toda a gravidez e ao chegar à empresa depois de passar uma hora dentro do ônibus, sempre passava mal e ouvia todos dizerem que era frescura. Meu trabalho passou a ser uma tortura, eu não me sentia bem naquela empresa. Tive hipertensão arterial, fortes dores de cabeça e os enjoos que não cessavam”.

Com sete meses pediu licença no serviço, pois sua gravidez estava correndo risco. “Meu filho nasceu no dia em que completou 36 semanas, abaixo do peso, com sofrimento fetal e crescimento intrauterino retardado, ficando logo após o nascimento na UTI neonatal”. Depois do nascimento prematuro do filho, decidiu largar o emprego já que o bebê precisava de cuidados especiais. E apesar de saber que as complicações foram devido ao estresse no ambiente de trabalho, decidiu não processar os agressores. “Pensei em processar a empresa, mas tive medo de me prejudicar profissionalmente. Hoje eu teria atitudes diferentes, procuraria uma orientação melhor e não aceitaria esse tipo de assédio moral, pois esses problemas quase custaram a vida do meu filho”, diz ela.

Além de se proteger contra o assédio moral, a gestante também deve conhecer seus direitos. A Dra. Marillia Barbosa, advogada trabalhista da Mello, Dabus e Rached Advogados, enumera abaixo os principais direitos da gestante:

  • A garantia do emprego e o afastamento concedido através da Licença Maternidade é em razão da proteção ao nascituro, para que a gestante/mãe possa se recuperar do parto e cuidar da criança nos primeiros meses de vida.
  • É proibida a dispensa arbitrária ou sem justa causa nesse período.
  • A garantia do emprego inicia-se na confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, ou, 150 dias conforme os ditames da alínea ‘b, II, artigo 10 do Ato das disposições constitucionais transitórias, Decreto legislativo nº 20 de 30/04/65.
  • Atualmente há possibilidade de prorrogação do prazo de 150 para 180 dias, conforme Lei 11.770 de 09/09/2008, a empresa que estiver inscrita no programa empresa cidadã, o qual destina-se prorrogar 60 dias a duração da licença-maternidade prevista no inciso XVIII do caput do artigo 7º da Constituição Federal.
  • Essa garantia se dá através da confirmação, a qual deve ser entendida no sentido da empregada demonstrar a gravidez ao empregador, pode ser através de atestado médico ou exame laboratorial.
  • Somente a partir do momento em que a empregada demonstrar a gravidez ao empregador é que estará protegida.
  • A comprovação deve ser feita durante a vigência do contrato de trabalho, do aviso prévio, ou, do aviso prévio indenizado para fazer jus à garantia de emprego.

Paula R. F. Dabus

FONTE: http://guiadobebe.uol.com.br/como-gestantes-podem-se-defender-de-assedio-moral-no-ambiente-de-trabalho/

Anemia na gestação pode causar partos prematuros, abortos e problemas para o bebê: Texto comentado

Cansaço, tonturas, queda de cabelo, dores de cabeça e nas pernas, falta de apetite e de concentração. Não, esses não são sintomas normais da gestação, mas
indícios de que você pode estar com anemia. (Na verdade, excetuando a falta de concentração, todos os outros sintomas podem estar associados a gestação) Muito comum a partir do quinto mês de gravidez, ela é causada pela falta de ferro no sangue. E se não for tratada a tempo, pode causar partos prematuros, abortos, além de baixo peso no bebê e dificuldades de crescimento. Por isso, muita atenção ao que você anda colocando no prato. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 65% das mulheres sofrem de anemia e a maioria dos casos é conseqüência de uma má alimentação. Fique de
olho!

“A anemia se caracteriza pela diminuição de células sangüíneas – hemácias – responsáveis pelo transporte de oxigênio da mãe para o bebê. (Alguns tipos de anemia podem estar relacionados também a diminuição da concentração de hemoglobina. Na gestação, a anemia mais comum é a dilucional, que pode ser prevenida e tratada) É muito comum após 20 semanas de gravidez, já que o sangue da gestante tende a diluir.

Também pode surgir na amamentação, já que parte do ferro da mãe passa para o bebê através do leite”, explica a ginecologista e obstetra da Unifesp Carolina Ambrogini. As anemias também são comuns antes da menopausa e no início da puberdade, quando a perda de sangue pela menstruação e as alterações hormonais aumentam a queima de ferro.
No exame físico já é possível ver se a gestante está com anemia, pois a pele fica pálida e as mucosas descoradas.

No entanto, as anemias podem ser causadas por diversos fatores. Constatado o quadro anêmico, o melhor a fazer é investigar as possíveis razões. “Existem vários tipos de anemia. Algumas raras, em que a pessoa, antes mesmo de engravidar, já apresenta uma deficiência na formação da hemoglobina. Nesse caso, vale atenção redobrada já que essa anemia acaba por se acentuar na gravidez”, lembra a especialista. A falta de ácido fólico e vitamina B12, por exemplo, também desencadeia o problema. “Por isso, é comum que o obstetra recomende suplementos de ácido fólico quando a mulher ainda está pensando em engravidar”, esclarece a nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) e do Hospital das Clínicas da USP, Mônica Beyruti.  (Habitualmente, a principal indicação de suplementação de ácido fólico antes da gravidez está relacionada a prevenção de defeitos do fechamento do tubo neural. A anemia falciforme e a anemia megaloblástica também podem ser tratadas com o ácido fólico, entretanto, existe uma diferença na dosagem prescrita quando comparada a prevenção dos defeitos do tubo neural) Quadros anêmicos podem, ainda, ter origem imunológica ou genética – como na doença falciforme e na anemia mediterrânea – ou, ainda, serem causados pelo uso prolongado de certos medicamentos, por hemorragias e por doenças como hipotireoidismo, doenças renais e hepatite.

De olho na alimentação

Entretanto, a maior parte dos casos em que as grávidas apresentam redução de hemácias no organismo se deve a uma alimentação inadequada. Por medo de engordar, ou pela falta de informação acerca do que comer, muitas gestantes adotam dietas pobres em nutrientes. “A gestante deve procurar um acompanhamento com o nutricionista durante a gravidez. É normal que ela ganhe peso, mas este deve estar dentro dos padrões saudáveis para a saúde do bebê”, aconselha Mônica. Por isso, não é
porque você está esperando uma criança que deve comer em dobro! Qualidade não é sinônimo de quantidade. O ideal, segundo os especialistas, é que a mulher ganhe até 12 quilos durante toda a gestação. E a mágica para isso acontecer é manter uma alimentação saudável e equilibrada. “No prato da gestante deve haver de 50% a 60% de carboidratos, 15% de proteínas e até 30% de gordura, dando preferência
às monoinsaturadas e polinsaturadas”, recomenda a nutricionista.

E para evitar a anemia, é fundamental não se esquecer do ferro! “Existem dois tipos de ferro: ferro heme e não heme. O primeiro é encontrado em carnes – vermelha, de frango, peixe – e é bem aproveitado pelo organismo. Já o segundo possui menor grau de absorção. É o ferro dos vegetais escuros, das leguminosas e grãos”, ensina Mônica Beyruti. Portanto, de nada adianta se entupir de espinafre, couve e agrião e esquecer das carnes. São elas que aumentam o poder de absorção do ferro não heme. Alimentos ricos em vitamina C (laranja, abacaxi, tangerina, maracujá, morango, goiaba, caju e acerola) e vitamina A (abóbora, cenoura, tomate e frutas de cor amarelo-alaranjada) também potencializam a assimilação do
mineral no corpo. Por outro lado, evite chás, café, refrigerantes, farelos crus e alimentos ricos em cálcio (leite e derivados, por exemplo), sobretudo nas refeições principais, pois eles prejudicam a absorção total do ferro.

Os especialistas garantem que o ideal é que a futura mamãe ingira cerca de 30 miligramas diárias de ferro. No entanto, muitas vezes, mesmo com uma alimentação saudável e balanceada, ela não consegue produzir toda essa quantidade. Nesses casos, é preciso recorrer aos suplementos, administrados durante a gestação e o período de amamentação. (A recomendação mais atual diz que toda a gestante deve realizar suplementação profilática de ferro independente dos níveis de hemoglobina ou da ingesta alimentar)

Se você desconfia que está anêmica, procure seu médico. “No exame físico já é possível ver se a gestante está com anemia, pois a pele fica pálida e as mucosas descoradas. Mas os testes feitos durante o
pré-natal e os hemogramas completos pedidos pelo médico durante a gestação ajudam a identificar como anda o seu nível de hemoglobinas”, alerta a ginecologista Carolina Ambrogini. A regra, então, é comer bem e ficar atenta aos sinais de seu corpo. Invista na sua saúde e na de seu bebê também.

* As inserções em negrito são contribuições e críticas de Dr. Paulo Gomes Filho

FONTE: http://itodas.uol.com.br/mae/anemia-na-gestacao-pode-causar-partos-prematuros-abortos-e-problemas-para-o-bebe-24174.html

Toxoplasmose IgM E IgG negativos: o que devo fazer?

Amigas,

Uma das doenças rastreadas durante o pré-natal é a toxoplasmose. Transmitida pelo toxoplasma gondii, essa patologia pode agredir a gestação, causando desde abortamentos, passando por inúmeras malformações e até o óbito fetal.

Quando a paciente adquiri a toxoplasmose antes da gravidez, na maioria das vezes sem a manifestação de qualquer sintoma, não terá problemas quando resolver engravidar. Apesar de não conferir imunidade ao organismo materno, a grande questão é quando a primeira infecção por toxoplasma gondii acontece durante a gestação.

Portanto, aquelas pacientes que possuem sorologia de uma infecção passada para toxoplasmose (IgG positivo e IgM negativo) não precisam se preocupar e o seu obstetra não continuará o rastreio.

Entretanto, as gestantes com resultado sorológico com a fração IgG negativa para toxoplasmose devem seguir algumas recomendações:

– Evitar contato com gatos. Os bichanos são os maiores hospedeiros e transmissores do toxoplasma gondiipara humanos.

– Evitar manusear terra, vasos de plantas e areia em parques infantis e similares, pois as fezes de gatos podem estar depositadas nesses locais.

– As carnes de boi, bode, carneiro e porco devem ser bem passadas e bem cozidas. Os cistos do toxoplasma pode permanecer viáveis quando a carne consumida está semi-crua.

– Lavar com água e sabão os utensílios utilizados no preparo das carnes.

– Lavar as frutas ou vegetais com água filtrada e corrente esfregando com as mãos.

– Proteger os alimentos de moscas e baratas.

– Consumir apenas leite pasteurizado ou fervido.

Além dessas dicas, o seu médico pré-natalista solicitará periodicamente a sorologia para toxoplasmose.

Grande abraço,

Dr. Paulo Gomes Filho