Perdas Recorrentes

Amigas,

acompanho em meu consultório muitas mulheres com histórias obstétricas extremamente tristes. Emociono-me quando essas pacientes descrevem suas gestações, e com os olhos cheios de lágrimas, relatam suas difíceis experiências frente a abortamentos espontâneos e óbitos fetais.

Nem sempre a Obstetrícia é feita de alegrias. Nem sempre o momento do parto é recheado de felicidade. Nem sempre o Centro Obstétrico é um lugar de satisfação. Para algumas pacientes, a experiência mais dolorosa das suas vidas acontece em um ambiente aonde teoricamente o nascimento seria a realização do sonho da maternidade. Entretanto, infelizmente, essas mães não saem com o filho nos braços.

Existem inúmeras causas para os abortamentos espontâneos e os óbitos fetais. Algumas delas desconhecidas, outras imprevisíveis. Contudo, a Ciência vem cada vez mais elucidando essas lacunas e proporcionando que essas mulheres, no passado, possuidoras de gestações impossíveis, consigam hoje  engravidar e dar a luz à crianças saudáveis.

Muitas senhoras chegam ao meu consultório com histórias de quatro, cinco ou seis abortamentos consecutivos e, ainda sem a devida pesquisa da causa dessas perdas recorrentes. Questões relacionadas a fatores genéticos, imunidade do casal, trombofilias, hormônios, hábitos de vida, além de mal-formações uterinas, precisam ser avaliadas.

Entretanto, a maioria desses questionamentos devem ser investigados antes da gravidez. A avaliação pré-concepcional visa esclarecer e antecipar possíveis problemas garantindo que o tratamento seja introduzido previamente a gestação, ou o mais precocemente possível. Mas, nem sempre, é assim!

Lembro-me de uma jovem senhora, casada havia seis anos, cuja a história obstétrica se resumia a sete abortamentos. Procurou-me já gestante, em sua oitava gravidez, por volta da décima semana. Solicitei exames e após a chegada dos valores e laudos, introduzi um tratamento muito rigoroso por conta de um diagnóstico de Síndrome Anti-fosfolípide.

Obviamente, nesses casos, a vontade da paciente é imensamente importante. Eram doses diárias de heparina, comprimidos de ácido acetil-salicílico, além de outras medicações coadjuvantes e exames laboratoriais e de imagem frequentes. O esforço rendeu resultado e a radiante mamãe concebeu um lindo bebê pesando 3350 gramas.

Outra linda experiência refere-se a uma paciente com uma história de óbito fetal por volta de 27 semanas de gravidez por conta de pré-eclâmpsia grave. Venho para a consulta novamente gestante, entretanto, evoluiu com um abortamento precoce por volta da oitava semana de gestação. Apesar de muito abalada por causa de sua segunda perda, não desistiu do sonho de ser mãe e fizemos um pacto. Após reunir forças, ela retornaria ao consultório para realizarmos uma avaliação pormenorizada das causas dos seus insucessos gestacionais, antes de uma nova gravidez.

E assim ela fez. Retornou para a avaliação pré-concepcional e foi feito o diagnóstico de uma trombofilia. Na data oportuna, introduzimos o tratamento pertinente. Por volta da 35a semana de gestação, a paciente evoluiu novamente com um quadro de pré-eclâmpsia grave. Contudo, por conta da vigilância materna e fetal rigorosas, a paciente deu a luz a uma linda e saúdavel bebê de 2450g sem comprometimentos para a saúde da mãe e da criança.

Escrevo isso, como forma de incentivar as pacientes que, por vários motivos, não tem o sonho da maternidade ainda concretizado. Essas mulheres devem procurar seus obstetras e com força de vontade realizar as pesquisas e os tratamentos pertinentes. Nem sempre é uma tarefa fácil, mas a escolha de um bom especialista, a realização da avaliação pré-concepcional e o respeito às orientações e prescrições médicas garantirão o resultado esperado.

Toda a mulher tem o direito divino de ser mãe. A Medicina, criada por Deus, é uma ferramenta para este sonho. Tenha fé e confie em seu médico!

Anúncios

Um pensamento sobre “Perdas Recorrentes

  1. Minha esposa está com 11 semanas de gestação. vinhamos realizando o pré-natal dela normalmente, com a última USG transvaginal em 7 semanas de gestação. Ontem resolvemos realizar outra USG, e para surpresa os BCF estavam ausentes, então fomos na consulta com um obstetra que solicitou outra USG, fizemos e foi a mesma coisa, BCF ausentes com interrupção na 8° semana. O primeiro obstetra explicou que como o feto está morto há 3 semanas, existe a possibilidade de o organismo expulsar e prescreveu medicação ( METHERGIN 8/8 POR 7 DIAS), POIS AMINHA ESPOSA NÃO ESTAVA TENDO NENHUM SINAL OU SINTOMA. O segundo obstetra orientou para não tomar a medicação e esperar 10 dias para repetir a USG.
    O casoé que hoje está começando o sangramento amarronzado, com cólicas. Não está tomando medicações.
    O que faço?
    Tomo o methergin?
    Aguardo?
    Existe riscode infecção?
    Existe risco decarências de vitaminas neste período?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s